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Dr. João Jorge Leite em São Paulo – Por que não recomendo?

Já faz quase um ano do meu exame médico, e durante todo esse tempo fiquei pensando se deveria ou não publicar esse post. Como percebi que várias pessoas estão recebendo pedido de exames médicos por esses dias, resolvi que sim.  Eu relatei aqui nesse post como foi a minha consulta com o Dr. João Jorge Leite, em São Paulo, mas o que aconteceu depois eu acabei não contando….Por isso hoje eu vim escrever uma não-recomendação.

Sempre recebo a mesma pergunta quando chega nessa etapa: quanto tempo demora depois do pedido de exames médicos pra ter o visto em mãos?

Bom, a resposta exata eu não tenho. Algumas pessoas recebem o pedido de passaporte junto com o pedido de exames médicos, outras recebem alguns dias depois, e outras só recebem depois de várias semanas. No meu caso, entre uma coisa e outra, demorou a eternidade de 71 dias. Mais de dois meses de ansiedade, mas acho que meu caso é excessão pois inclui um problema de serviço péssimo que utilizei.

Quando recebi o pedido, queria ir fazer os exames no dia seguinte se possível fosse. Liguei nos 3 médicos cadastrados pelo consulado e apenas esse médico tinha consulta pra semana seguinte, nos outros eu teria que aguardar cerca de 2 semanas…Esse foi o motivo de ter escolhido fazer a consulta com ele: apenas pressa, e me custou bem caro.

O primeiro ponto a se observar é que ele não preza pelo seu tempo. A consulta não é nada barata, e isso acontece independente do médico que você for, mas ao pagar 300 reais por uma consulta médica que é basicamente uma entrevista, eu espero pelo menos pontualidade do profissional. Cheguei no consultório antes das 9 da manhã, com uma consulta marcada para as 11h, e saí de lá quase 13h, após uma “consulta” de no máximo 10 minutos. O resto foi só espera mesmo, numa salinha minúscula e superlotada de pacientes. A impressão que me passou foi que ele agenda várias pessoas no mesmo horário, e depois obviamente não consegue atender a todos no horário estipulado.

Após a consulta, o médico deu 2 guias para os exames: uma para a radiografia e outra para os exames de sangue. A secretária, então, te orienta a fazer os exames de sangue no Lavoisier e a radiografia no Fleury, sendo que você pode fazer tudo no mesmo local. Disse que faria tudo no Fleury, e ela repetiu que eu deveria fazer no Lavoisier os de sangue porque ela mesma iria buscar o resultado. Perguntei porque não poderia fazer no Fleury, já que lá aceitavam o meu convênio, e ela disse que eu poderia fazer, mas o “empecilho” era que eu deveria passar a senha pra ela, pra que ela pegasse os resultados online… Achei então, a princípio, que eu que tinha entendido errado o lance Lavoisier+Fleury, mas assim que cheguei lá no laboratório as várias pessoas que estavam no consultório dele antes de mim estavam também lá fazendo a radiografia, e pude ouvir as conversas de que teriam ainda que ir no Lavoisier pra terminar os exames….Sinceramente, não entendi a insistência por fazer um em cada local. Fiz todos os exames no Fleury, aceitaram meu convênio inclusive pra radiografia, e após isso enviei um email para a secretária com as nossas senhas. Assim que verifiquei que os exames estavam prontos, liguei novamente no consultório para avisar dos resultados e a secretária me informou que já havia pegado, e que os exames seriam transmitidos online no dia 1 de Outubro.

Nesse meio tempo, um outro casal recebeu o pedido de exames no mesmo dia que eu, fez com outro médico, os exames já apareceram no E-cas como recebidos e o pedido de passaporte veio. O visto deles chegou e nada do nosso E-cas atualizar…

Chegou novembro e nada. Ligamos no Consulado pra investigar, e disseram que nossos exames não constavam no sistema!! Liguei novamente no consultório, pra confirmar que eles haviam mesmo enviado… A secretária confirmou: foram enviados dia 1 de Outubro. Pedi que ela me enviasse uma confirmação, e ela disse que a única confirmação era aquela mesmo, por telefone. Argumentei se eles não recebiam algum número de confirmação de recebimento, algum email, mensagem, enfim, qualquer coisa, e ela disse: “Não, não…é isso mesmo. Enviamos online e não tem confirmação nenhuma de recebimento.” – O que mais tarde descobri que era má vontade… Um conhecido fez os exames com outro médico, e a secretária super simpática, ao enviar os exames, deu um print screen na tela e mandou pra ele, como confirmação de que o envio tinha sido bem sucedido!

Depois de arrancar os cabelos, dia 14 de novembro nosso E-cas mudou, informando que os exames tinham sido recebidos. Finalmente, quando recebemos nosso passaporte com os vistos, dia 10 de dezembro, veio a cereja do bolo. Descobri que os nossos exames, que supostamente tinham sido enviados dia 1 de Outubro, na verdade foram enviados dia 17 de Outubro. Você pode pensar: “nossa, mas que exagero…por causa de 16 dias de diferença ela já tá reclamando”, mas veja só….eu perguntei 3 vezes pra ela, em ocasiões diferentes, e ela me disse que enviaram dia 1. Só que sei lá por que cargas d’água eles enviaram dia 17. Porque não me disseram a verdade, então?! Se tivessem dito isso, faria muito mais sentido a demora em aparecer os exames pro Consulado, e eu teria ficado muito mais tranquila. É isso que eu fico P da vida….é a mentira, a falta de consideração com a pessoa que está pagando caro pelo serviço.

Por isso que eu acho que depender dos outros é uma merda.

Infelizmente, é uma etapa necessária do processo e não existem tantas opções de médicos cadastrados pelo consulado; em São Paulo existem 3. Conheço pessoas que se consultaram com os outros dois médicos e, pela experiência delas, posso dizer que vale bem mais a pena do que ir ao Dr. João Jorge Leite.

Recapitulando, em 2013:

  • 18/Set = Pedido de exames médicos
  • 25/Set = Consulta e exames médicos com Dr. João Jorge Leite, o qual NÃO recomendo.
  • 01/Out = Suposto envio dos exames médicos
  • 17/Out = Envio dos exames médicos
  • 14/Nov= Exames médicos recebidos
  • 21/Nov = Pedido de passaportes
  • 04/Dez = Vistos emitidos
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Esquilos espiões?

Existe uma lenda muito famosa no grupo de discussão sobre imigração que eu participo, que é a história do esquilo espião. Se você participa do mesmo grupo, com certeza já deve ter lido algo a respeito! Confesso que dei muita risada quando li a história toda, mas vou resumir aqui pra vocês:

Esquilo EspiãoUm participante que estava naquele marasmo, sem comunicação por parte do Consulado durante o processo de imigração, enviou um email bem ingênuo pra lista, questionando sobre uma possível investigação por parte do governo canadense, pois ele achava que estava sendo seguido naquela semana…Vocês já podem imaginar que o pessoal caiu matando, né?! Várias pessoas deram continuidade à zoação, elaborando teorias de conspiração engraçadíssimas, e depois de vários emails e respostas da pessoa, percebeu-se que de fato ele achava mesmo que estava sendo investigado de alguma forma; segundo ele, não era nenhum absurdo um país que estaria cedendo residência permanente a alguém querer saber mais a respeito da pessoa. Por fim, chegou-se à conclusão de que no Canadá existem esquilos espiões! :D

Isso aconteceu há vários anos, mas virou tão piada interna que toda vez que surge alguma pergunta absurda, alguém desenterra essa história.  Mas porque será que eu tô contando isso agora, você, querido leitor, deve estar nesse momento matutando…

Chegamos, eu e marido, sem lenço nem documento do lado de cá, e na imigração demos o endereço de um casal de amigos pra envio do cartão de residente permanente (PR), já que a gente não sabia ainda onde ia amarrar o burrinho… Demos o endereço deles pra todos os cadastros e documentos que fizemos aqui inicialmente, e todos chegaram certinho, exceto esse bendito, que era o mais importante, porque precisaríamos dele pra ir ao Brasil e voltar pra cá. O oficial da imigração disse que o prazo pra chegar o PR seria de 6 a 8 semanas, e assim que nos instalamos no apê temporário, entramos no site e fizemos um pedido de urgência. Nenhuma resposta, e nas 5 primeiras semanas ficamos perambulando sem muita esperança de receber o cartão. (*Cabe lembrar aqui, caso você não saiba ou não se recorde, que nessas 5 semanas aqui nós conseguimos alugar o apartamento que moraríamos assim que voltássemos do Brasil. Como tinha ainda um casal morando nele, nem trocamos nossos cadastros em local algum…deixamos tudo com endereço dos nossos amigos mesmo, pra trocar quando efetivamente já estivéssemos morando por lá.*) 

Fomos pro Brasil com a esperança de que talvez o cartão chegasse e aí nossos amigos nos enviariam via Fedex, e depois de esperar mais uma semana, nada… Sem o PR pra poder entrar novamente no Canadá como residentes, foi necessário pedir no consulado de SP um “travel document”, que nada mais é do que um visto de somente uma entrada no qual consta que você já é um residente permanente. Pode demorar até 15 dias pra ficar pronto; o nosso demorou uma semana e obviamente não é grátis… É igualzinho ao visto que a gente recebe ao final do processo de imigração, mas no lugar de “IMMIGRANT” vem escrito “PERMANENT RESIDENT”, ó só:Visto RP x Travel Document

 Mas voltando ao foco…Chegamos, nos estabelecemos no apê novo, até que uns 2 dias depois resolvemos abrir  a caixinha do correio. Eis que nos deparamos com o que?! Dois envelopes pardos, vindos diretamente do governo canadense, pra mim e pro marido. Abrimos e TA-DAM! Nada mais, nada menos que nossos PR cards! Ainda não tínhamos alterado nosso endereço em lugar nenhum… E agora, quem duvida da história do esquilo espião?!

Esquilo Espionando

 (*Obs: Contamos isso pra proprietária do apê; ela disse que nunca tinha ouvido falar disso mas contou que aconteceu o mesmo com o casal que estava morando aqui antes. Eles moram num prédio aqui quase vizinho e aconteceu uma inundação no apê deles, então ficaram aqui por dois meses enquanto arrumavam as coisas por lá…e misteriosamente as correspondências deles também passaram a ser entregues aqui, sem mais nem menos! *) 

*Foto

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A viagem dos cachorros

{*Se você chegou aqui agora e não leu o post anterior, recomendo que você leia antes desse!*}

Obs: peço desculpas de antemão pelas fotos de celular! Se quiser vê-las maiores, é só clicar que elas abrem em outra janela.

     A nossa viagem foi sempre planejada depois de planejar a dos nossos cachorros, de maneira que o sofrimento deles fosse o menor possível, pois já seria uma viagem super estressante…então optamos por vir uma semana antes deles e deixá-los sob os cuidados dos meus pais. Assim, nessa primeira semana chegaríamos no apto novo já compraríamos tudo que fosse necessário pra quando eles chegassem, deixando tudo pronto pra recebê-los. Eles tiveram que vir como carga, conforme contei antes, por causa do tamanho, peso e raça.

     Na chegada, o Canadá não exige que os cachorros fiquem de quarentena, o que já é um alívio absurdo, mas a viagem duraria em torno de 30 horas e exigiria que eles ficassem dentro das caixas praticamente todo esse tempo. Naturalmente, nossa maior preocupação era de que eles tivessem medo de entrar nas caixas, de que fosse difícil adaptá-los….Só tivemos duas semanas no Brasil para adaptá-los às caixas (*se você tiver mais tempo recomendo começar antes, principalmente se o seu cachorro for medroso!*), mas pra nossa surpresa, assim que as abrimos, eles correram lá pra dentro, o que me deixou bem mais tranquila. Deixávamos separadamente cada um dentro da sua caixa, fechávamos por algum tempo e também deixamos dormirem dentro delas (sem fechar a portinha, claro), pois era necessário eles perceberem que podiam deitar e dormir ali dentro, além de já deixar o cheirinho deles por lá. Eles sempre dormiram juntos e tinham apenas uma casinha, então a parte mais complicada foi separá-los para o transporte, já que é permitido somente um animal adulto por kennel.

     Como também já mencionei, tivemos que comprar caixas específicas de madeira, por causa das raças dos nossos cachorros. Seguem as fotos pra vocês terem ideia de como são:

caixas

     A viagem tinha sido agendada para logo depois da páscoa, saindo do Brasil dia 23 de abril, fazendo escala em Houston e chegando em Vancouver dia 24. Porém, como nada acontece do jeito que a gente planeja, eis que dia 17 à tarde, quinta-feira antes da páscoa, recebemos um email da Carga Viva Export informando que o aeroporto de Vancouver estava com um embargo para o recebimento de animais, e que eles não poderiam embarcar na data marcada e teríamos que mudar o destino de chegada. COMO ASSIM?!? Bateu o desespero antes mesmo de terminar de ler!! No mesmo email, ofereceram outras 3 opções: transportar até Toronto (opção que nem podíamos escolher, visto que nosso Pitbull não poderia passar por lá), transportar até Montreal ou transportar até Seattle. Em qualquer das opções, teríamos que ir buscá-los ou arrumar alguém pra trazê-los…sem condições de ir buscá-los em Montreal, né?! A opção mais viável era Seattle mesmo, fazendo o restante do caminho de carro (aproximadamente mais umas 4 horas de viagem). Pra ajudar, marido já começaria a trabalhar no emprego novo dia 21 de abril, então não tínhamos nem como buscar em Seattle também!! Remoemos esse percalço da quinta-feira, antes da páscoa, até a próxima terça-feira, depois da páscoa, já que nesse meio tempo não tinha como falar com ninguém e muito menos resolver alguma coisa… Na terça, dia 23, a própria empresa indicou outro parceiro em Seattle que pudesse trazer os cachorros até nós. Tudo certo e viagem remarcada, agora para o dia 29, saindo do Brasil e chegando em Seattle, com escala em Houston. Tudo resolvido?! Aham…

     Como um problema só é muito pouco, a empresa que faria o transporte Seattle-Vancouver retornou o email da reserva no outro dia, informando que seria impossível transportar os cachorros por essa rota, pois o embargo, na verdade, era em Houston. Nesse ponto, já estávamos tão irritados e nervosos com tanta informação desencontrada, que ligamos pra lá e pra cá tentando entender o que se passava…Depois de questionar a Carga Viva Export, eles nos retornaram dizendo que não havia mais embargo no aeroporto de Vancouver, e que poderíamos novamente seguir com o transporte direto pra cá, porém trocando a escala de Houston para Chicago. Até hoje não encontramos informação nenhuma a respeito de embargo no aeroporto daqui, o que nos leva a crer que houve um entendimento errado da informação por parte deles… Desfeita então toda a confusão, a viagem foi remarcada pro dia 30 de abril, fazendo o seguinte roteiro:

  • 12h00 = Saída de Campinas, de Táxi, com destino ao aeroporto de Guarulhos.
  • 15h00 = Vistoria do órgão de inspeção e liberação para embarque.
  • 21h10 = Embarque pela United Pet Safe: São Paulo → Chicago.
  • 05h40 = Chegada em Chicago (horário local). (*Fomos informados de que nas 4 horas de espera entre um vôo e outro eles seriam alimentados, retirados das caixas para que um veterinário analisasse o estado deles e para limpeza das caixas. Não sei informar se realmente esses procedimentos aconteceram, visto que a ração que minha mãe enviou com eles chegou aqui intacta. Não sei se não quiseram comer ou se não ofereceram, mesmo. Retirados das caixas eu sei que foram, mas explico mais à frente.*)
  • 9h45 = Embarque pela United Pet Safe: Chicago → Vancouver.
  • 12h20 = Chegada em Vancouver (horário local)
  • 15h00 = Chegada na nossa casa!!

     O desembaraço no aeroporto de Vancouver e transporte até a porta de casa foi feito pela empresa Worldwide Animal Travel, que eu SUPER recomendo! Ótimo atendimento e ótimo serviço; o rapaz que os trouxe foi super simpático e carinhoso com os nossos cachorros, além de atencioso e pontual com a gente.

     O transporte deles foi muuuito estressante, tanto pra nós quanto pra eles. Chorei bastante nos dias que antecederam a viagem, por causa dos problemas que havíamos tido e por medo de eles sofrerem muito na viagem…se eu pudesse ir junto com eles, dentro da caixa pra confortá-los, eu teria ido!

embarque

Olhando pelo buraquinho :D

     Assim que a minha mãe me ligou avisando que eles já estavam no táxi pra São Paulo, eu, que já tinha roído todas as unhas da mão, quase comecei a arrancar os cílios, de tanto desespero. Muito medo de que acontecesse alguma coisa com eles, e muita agonia de imaginar que eles não sabiam o que estava acontecendo e com certeza estavam com medo…Umas duas horas depois, sem notícia alguma, enviei um email pra Carga Viva Export e eles me responderam prontamente, informando sobre a chegada deles em Guarulhos. Depois da inspeção, eles também nos enviaram um email avisando sobre a liberação para o embarque. A partir desse momento, foi possível fazer o rastreamento pelo site da United, usando o código que eles informam no ato da reserva da “passagem”.

Rastreamento pelo site da United Cargo

Rastreamento pelo site da United Cargo

     Desnecessário dizer que passei essa noite praticamente em claro, atualizando o rastreamento pra ver se algo de novo aparecia, né?! Quando eles chegaram em Vancouver o rapaz responsável por pegá-los e trazê-los pra gente fez todo o desembaraço necessário para a liberação deles (esse processo durou cerca de 1 hora) e nos ligou, avisando que já estava com eles, que estavam bem e que brincaria um pouco com eles antes de trazê-los, pra que eles fizessem um pouco de exercício fora da caixa. Assim que ele chegou aqui, descemos pra ajudar a tirar os cachorros do furgão e percebemos que nenhum deles estava na caixa que deveria estar: o Pitbull estava numa caixa bem parecida com a de madeira, porém de metal, e a Bull Terrier estava num kennel comum, de plástico. Até hoje não descobrimos o que aconteceu; apenas sabemos que as caixas foram trocadas em Chicago e que a caixa de metal deveria ser retornada para lá; o próprio rapaz que os trouxe levou de volta ao aeroporto. A outra caixa ficou com a gente. Relatamos o fato pra Carga Viva Export, que nos informou que abriu uma reclamação na United, mas até hoje não recebemos nenhuma resposta sobre o ocorrido. Mais uma dúvida que ficou no ar…No fim das contas foi melhor, pois as caixas de madeira eram enormes e não teríamos o que fazer com elas; nossa intenção era doá-las a uma instituição que resgata Pitbulls por aqui. Como o kennel que veio era menor, a gente conseguiu aproveitar pra fazer de casinha pra eles.

Caixas diferentes?!

Caixas diferentes?!

     

     Eles chegaram MUITO estressados. A branquela, que é mais agitada, chegou com o focinho todo esfolado de ficar tentando enfiar o nariz nos buraquinhos da caixa, e o Pitbull, que é super medroso com relação a barulhos, chegou apavorado, com muito medo de tudo. Assim que os tiramos das caixas eles fizeram muita festa pra gente, e depois de cheirarem o apartamento inteiro, não quiseram nem comer, apenas deitaram e dormiram super profundamente até o dia seguinte. Roncaram pra caramba!! No dia seguinte a Bull já estava a todo vapor, ligada no 220V como de costume, pronta pra desbravar a nova cidade, mas o macho demorou mais ou menos uma semana pra voltar ao comportamento normal; ficava com o rabinho entre as pernas e tinha medo até da sombra. Nem na varanda do apartamento ele ia sozinho. Hoje, já estão bastante adaptados e amando morar dentro de casa com a gente. (*e quem é que não acostuma com coisa boa, né?! rs*)

desembarque

Oba! Chegando na casa nova!

diaseguinte

Cansaço e preguicinha do dia seguinte…

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Transportando cachorros grandes do Brasil para o Canadá (Vancouver, BC)

Finalmente tomei coragem de escrever esse post!! 7 em cada 10 perguntas que recebo são relacionadas ao transporte dos meus cachorros, então desculpem pela demora….Tive que dividir o post, pra variar, porque eu falo demais e virou um livro! Então não esquece de voltar aqui amanhã pra conferir a segunda parte, ok?!

Pra quem chegou agora, um breve resumo:

Temos dois cachorros de porte médio/grande: um Pitbull e uma Bull Terrier. Nosso visto saiu em Dezembro/2013, e depois de muito matutar sobre como fazer a mudança, se os cachorros iriam com a gente ou se iriam depois, resolvemos ir antes, resolver toda a documentação que precisaríamos e, principalmente, alugar um lar mais definitivo, assim eles já chegariam direto na casa em que morariam, pra que a adaptação fosse mais fácil pra eles. Depois disso voltaríamos pro Brasil pra buscar o restante das coisas e, finalmente, trazê-los.

Primeiro, deixa eu apresentar a galerinha, né?! Esses dois xuxuzes aí embaixo são as nossas quianças!

Num são as coisas mais lindinhas da vida?! :D

Desde quando começamos a pensar em nos mudar de país, nunca, em momento algum, passou pela nossa cabeça deixar os nossos cachorros pra trás. Eles são parte da nossa família e são como filhos pra nós…você deixaria um filho seu no orfanato e se mudaria pra outro país?! Pois é. Se você decide ser responsável por uma vida, ter um bichinho de estimação, não pode achar que serão só flores. Tem que tratar bem, dar amor, vacinar, dar comida de boa qualidade e levar ao veterinário quando ficam doentes. Isso se chama POSSE RESPONSÁVEL. Não é barato ter um animal de estimação mas, infelizmente, muitas pessoas não pensam nisso quando se deparam com aquele filhotinho fofo e, depois, na menor possibilidade de o animal trazer alguma dificuldade financeira ou de “mobilidade”, abandonam como se fosse lixo. Se tem uma coisa que me deixa possessa nessa vida é esse assunto…

A primeira pergunta que todo mundo fazia quando contávamos que estávamos nos mudando pro Canadá era: “Mas e os cachorros? Vão ficar com quem??”, seguida de espanto quando dizíamos que eles se mudariam com a gente. Conversando sobre a logística do transporte e quanto gastaríamos com isso, ouvi de uma pessoa da minha família uma coisa que me deixou muito magoada…Ela disse que a melhor coisa que poderia acontecer pra gente seria os nossos dois cachorros morrerem subitamente, pra assim não termos o trabalho e o gasto de levá-los conosco. Sinceramente, que tipo de pessoa pensa assim??

Bom, uma coisa que você precisa ter em mente é que quanto maior o seu animal, mais difícil e caro será o transporte dele. E que, dependendo do tamanho e/ou raça, você vai precisar contratar um serviço especializado pra isso. No geral, se você tem gato ou mesmo um cachorro pequeno, a maioria das companhias aéreas permite que ele vá com você dentro da cabine, numa bolsa de transporte que caiba embaixo da poltrona. Se esse é o seu caso, você é uma pessoa de muita sorte!! Dá pra fazer toda a burocracia por conta própria e viajar 100% do tempo com o seu bichinho, e isso vai te dar uma tranquilidade que você nem imagina.

A segunda opção mais fácil é se você tem um cachorro um pouco maior ou mais pesadinho, mas ainda de porte pequeno/médio, que não cabe embaixo da poltrona (como um schnauzer ou um beagle, por exemplo). Nesse caso, ele também pode ir no mesmo vôo que você, porém dentro de uma caixa de transporte, como bagagem despachada. Também dá pra fazer a parte burocrática por conta própria, você mesmo vai despachá-lo no balcão da companhia aérea e você mesmo vai pegá-lo ao chegar no aeroporto de destino. Não se esqueça de já notificar a companhia aérea e fazer a reserva do seu cachorro no ato da compra das passagens, e também de chegar cedo ao aeroporto, pois a reserva é meramente uma formalidade e mesmo tendo feito você pode correr o risco de seu cachorro não embarcar, caso tenham feito checkin de outros animais no mesmo vôo antes de você. Cada companhia aérea define um peso máximo aceito para animal + caixa de transporte pra ir como bagagem, mas sei que pra Air Canada o peso máximo é de 32kg. Indo pelos EUA ou Panamá, as outras companhias permitem um peso um pouco maior, mas mesmo assim varia bastante de uma pra outra.

Infelizmente, não sei dar maiores detalhes pra nenhum dos casos que mencionei acima, pois não usamos nenhuma das duas opções….

Iniciamos a nossa pesquisa sobre o transporte dos cachorros logo que demos entrada no processo FSW, apenas pra nos prepararmos e já sabermos de antemão quanto custaria mais ou menos para transportá-los. Pensamos em todas as opções possíveis para que a viagem deles fosse a melhor possível, pois achávamos que tanto tempo num avião fosse ser muito traumático, e acabamos pensando nas seguintes opções, em ordem de preferência:

Avião: Brasil –> EUA + Carro: EUA –> Vancouver. Fiz até o roteiro, gente….ia ser demais poder ir parando pra passear e esticar as pernas; fora que pra eles ia ser mais tranquilo poder estar com a gente pelo menos metade da viagem.

Cruzeiro de navio (*Ok, já está oficialmente permitido mandar internar a gente!*). Eu sempre quis mesmo fazer um cruzeiro e pensei “porque não?!”, já que poderia unir o útil ao agradável, mas descobri que apenas uma companhia oferece o serviço de viagem com pets (Cunard), e em apenas uma rota: Nova Iorque -> Reino Unido. Sem mencionar o precinho que seria…opção descartada! :(

Avião: Brasil –>Vancouver. Opção menos cotada na nossa lista, porque não tem vôo direto e seria tempo demais dentro da caixa de transporte…ficamos com muita dó.

Começamos pesquisando direto no site das companhias aéreas (Air Canada, Copa, American, United e Delta); tínhamos ainda a ideia romântica de que eles iriam no mesmo vôo que a gente, no compartimento de carga. Cada companhia aérea tem regras diferentes, e em alguns casos é bem difícil encontrar a informação, pois os funcionários não são bem treinados e ninguém sabe dar informações concretas, além de alguns sites serem mal escritos e confusos… Importante acrescentar aqui que por via aérea há restrições de transporte tanto no inverno quanto no verão, então a grosso modo só sobram os meses de Abril, Maio, Setembro e Outubro pra isso. Nos deparamos, então, com os seguintes obstáculos:

1) O Pitbull é banido em toda a província de Ontario, sendo proibido até mesmo somente transitar pela província. Sendo assim, seria impossível pra nós pela Air Canada, porque a conexão é justamente em Toronto.

2) O peso dos nossos cachorros+caixa de transporte ultrapassaria o peso máximo permitido em algumas companhias.

3) Por fim, a cereja do bolo: a maioria das companhias aéreas tem restrições ao transporte de várias raças de animais em vôo comercial, alguns considerados ferozes (olha o preconceito aí!!) e outros que sejam raças braquicefálicas (de focinho curto, tipo Pug, Buldogue e afins), por causa do risco de problemas respiratórios durante os vôos. Tá, e daí?! Daí que eles incluem o Pitbull e o Bull Terrier não apenas em uma dessas categorias, mas nas duas! (*Fuén Fuén Fuén….*)

Depois de tudo isso, seria obrigatório fazer o transporte por vôo de carga e a ideia de fazer metade de carro já estava descartada…Percebemos que seria mais complicado fazer o processo sozinhos, e optamos por entrar em contato com empresas especializadas em exportação e transporte aéreo de animais. Algumas empresas sequer me responderam, e das que obtive resposta, os orçamentos foram os mais diversos possíveis. Umas com valor exorbitante, outras apenas caras (nenhuma barata, obviamente! rs). Depois de conversar por telefone com duas das empresas, acabamos optando pela que forneceu um melhor atendimento e esclarecimentos pras nossas dúvidas, a Carga Viva Export. Expliquei que ainda não sabia a data da viagem, e deixei acordado que retomaríamos o contato assim que o visto saísse, para que fosse feita a atualização do orçamento e assinatura do contrato. Não tenho do que reclamar do atendimento pré venda da empresa*; foram extremamente rápidos, sabiam responder a todas as minhas dúvidas e o funcionário ficou mais de uma hora no telefone comigo me explicando como seriam todas as etapas do transporte…me passaram muita segurança.

Por fim, contratamos os seguintes serviços:

  • Confecção de caixas de transporte** (que seriam entregues na nossa casa),
  • Transporte terrestre de Campinas ao aeroporto de Guarulhos,
  • Transporte aéreo de São Paulo a Vancouver pelo serviço United Pet Safe***,
  • Transporte terrestre do aeroporto de Vancouver até a nossa casa,
  • Providenciamento da documentação necessária.

Ficou sob nossa responsabilidade apenas fornecer as carteirinhas de vacinação em dia, colocar microchip neles (o chip não é obrigatório aqui em BC, mas já havíamos feito isso pois acho que é um fator de segurança), adaptar os cachorros à caixa de transporte e providenciar água, ração e tapetinhos higiênicos para o dia da viagem (além de pagar todas as taxas necessárias…rs. Não vou escrever aqui sobre valores, porque tudo é calculado de acordo com o peso do seu animal, peso do kennel e também porque tudo depende do valor do dólar…)

Observações:

*Não tive problemas com o atendimento pré-venda da empresa, porém, tive sim alguns “imprevistos” após a assinatura do contrato, na ocasião da viagem, que vou relatar logo mais.

**Caixas de transporte: No nosso caso, tivemos que comprar as caixas direto da empresa, específicas para o transporte de Pitbull e demais “raças ferozes”. São caixas de madeira, reforçadas, feitas pelo marceneiro contratado por eles. Para outras raças de animais, você pode comprar por conta própria a caixa de transporte que mais te agradar, seguindo apenas os requisitos definidos pela IATA – Associação Internacional de Transportes Aéreos. A caixa deve ser grande o suficiente para que o animal se sente livremente com a cabeça erguida, vire-se e deite-se em uma postura normal. 

***Pet Safe: é um programa da United específico para o transporte de animais, com rastreamento. 

 

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Primeiras vezes

Para o caso de alguém ter reparado que parei de postar e se perguntado se fui sequestrada e mantida em cativeiro por algum mafioso chinês, logo agora que cheguei em Vancouver….aviso que estou aqui! Só estou vivendo um pouco fora da internet, tentando fazer novos amigos, conhecer o que a cidade tem pra oferecer, e, nesse meio tempo, tentando aprender a me comunicar eficientemente em inglês!! Esse negócio de ouvir / tentar entender / falar, e, enfim, viver em inglês, cansa meu cérebro de tal forma que quando chego em casa a última coisa que quero ver é o meu computador….apenas jogar Candy Crush pra descontrair :D

Mas isso não significa que vou parar de escrever aqui; é só uma pausa pro café, poque ainda tem muitas coisas pra contar. Aproveitando, vou contar umas coisas velhas, de meses atrás, pra poder deixar o blog em fase com a vida, né?! Ninguém merece ficar vivendo de notícia passada! (Pega um cafezinho ou cervejinha e senta que lá vem história…o post ficou enorme!!) (*Vou contar sobre conta no banco, primeiro aluguel, emprego e aulas de inglês grátis; caso você esteja com preguiça de ler tudo pode só procurar o que te interessa aí no meio!*)

No primeiro dia aqui já saímos pra resolver a documentação necessária pra virar gente (SIN number, que é o número importante pra tudo aqui…trabalhar, construir histórico de crédito, etc etc etc..- você já sai com um papel impresso na hora, e aguarda a chegada do cartãozinho oficial pelo correio), dar entrada no seguro saúde da província (aqui em BC funcionou assim: fizemos download dos formulários pelo site, preenchemos e enviamos tudo pelo correio) e abrir conta no banco. Depois de feito isso, nos concentramos na procura por um lugar pra morar, pois só tínhamos alugado o basement pra um mês.

Primeira conta no banco

Impressionante como os serviços bancários aqui são desprovidos de burocracia…Tudo que precisamos até agora foi super eficiente, embora bem mais arcaico.

Depois de muito pesquisar, resolvemos abrir uma conta no CIBC, que tinha um pacote interessante para recém chegados, incluindo cartão de crédito. Entramos na agência e pedimos ajuda ao primeiro funcionário que apareceu na nossa frente, explicando que estávamos ali pra abrir uma conta. Ele chamou o gerente, que em um minuto veio e nos levou pra sala dele, já com dois cartões de débito em mãos. Pediu nosso comprovante do landing, SIN number e endereço, demorou uns 5 minutos digitando as informações necessárias pra cadastro e já pediu pra criarmos uma senha. Tudo isso enquanto conversava sobre a vida e dava dicas sobre o dia a dia na cidade… Dali, já nos levou até o caixa eletrônico para desbloquearmos o cartão e criarmos a senha de internet. E pronto. Apenas isso. Num período de 20 minutos entramos, conversamos e saímos com conta criada, cartão de crédito solicitado, cartão de débito na mão e senhas funcionando!

Resolvemos depositar o dinheiro que tínhamos na boca do caixa e ela perguntou se queríamos o comprovante; dissemos que sim. Pasmem: ela pegou um papelzinho branco, imprimiu o valor do depósito, carimbou (com nome do banco e data) e estendeu o papel pra gente. (*Eu disse que era arcaico!*). Arcaico, porém eficiente… Isso foi em fevereiro e até hoje não tive que ir na agência mais nenhuma vez, pra resolver nada, nem pra depositar cheque! Pelo aplicativo do celular você tira duas fotos do cheque, frente e verso, e depois de uns 3 dias o valor é compensado na sua conta.

Mas se você é daqueles tipo a minha mãe, que odeia pagar as coisas com cartão de “Drébito” e gosta de ir pagar seus boletinhos em dinheiro lá no caixa, fisicamente, tem mais uma coisa legal: a agência funciona normalmente aos sábados. E algumas de domingo também… (*Êêê lá em casa……*)

Primeiro aluguel

Uma das coisas mais difíceis de decidir chegando aqui foi onde exatamente morar. Primeiro porque a gente chega sem referências, sem histórico de crédito, sem lenço nem documento, então as opções não são tantas assim…Não bastasse isso, não sabíamos onde marido iria trabalhar e nem onde eu iria estudar, então decidimos buscar algo próximo de Downtown, de fácil acesso ao transporte público, que fosse possível fazer muitas coisas a pé e que coubesse no nosso budget. Além de tudo isso, tinha que aceitar cachorro! Não só um, dois. E grandes. Missão quase impossível!!

Como a gente já tinha vindo antes conhecer a cidade, já tínhamos em mente mais ou menos as regiões que gostaríamos:  Kitsilano, Fairview, Mount Pleasant, Strathcona, West End. Enfim, se não encontrássemos nada nessas áreas, estávamos dispostos a ampliar um pouco os horizontes, desde que continuássemos próximos ao Skytrain e que fosse na Zona 1. Mais de um mês antes de chegar eu já estava buscando, mesmo sabendo que as coisas aqui alugam rapidinho. Sou ansiosa: sim ou com certeza?! (Se você quiser saber de um jeito muuuito eficiente pra buscar um apto ou casa por aqui, sugiro que você leia o post da Dupla Canadense, que ela explica muito bem como ela fez e eu fiz parecido! Funcionou super bem!)

Vancouver Neighborhoods & Zonas do Skytrain

Vancouver Neighborhoods & Zonas do Skytrain (pode clicar na imagem se quiser ver maior!)

As ferramentas que usei pra buscar foram: Cragslist, MapLiv, PadMapper e Rent It Furnished (tem muitas outras, mas achei que usando essas eu já estava bem servida).

Não vou dizer que a gente visitou mil lugares porque é mentira…a essa altura já tínhamos desistido fazia tempo de alugar uma casa com quintal; já tínhamos aceitado a ideia de que os cachorros iam morar dentro de casa com a gente e o máximo que procuramos foi uma varanda grande ou aptos térreos com patio. Visitamos uns 6 apartamentos, sendo que 3 foram total perda de tempo pq eram suuuuper velhos e fedidos…mas tipo, não eram apartamentos apenas antigos, eram muito destruídos mesmo, totalmente sem condições de morar. Acabou que gostamos do primeiro e do último que visitamos. O primeiro era super novo, todo mobiliado, com uma varanda grande e sem vizinhos em cima nem embaixo (embaixo é um comércio, portanto, sem ninguém pra reclamar de eventuais barulhos à noite e aos finais de semana), porém um pouco mais caro do que a gente estava procurando. O último era térreo, um pouco maior que o primeiro mas mais antigo, sem mobília e com carpete, mas os prós eram que era super perto de Downtown e tinha um quintal enorme! Ficamos sem saber o que fazer e resolvemos mandar nosso application pros dois…porque ainda tinha a possibilidade de ninguém querer alugar pra gente né?! (*Taí a coisa mais bizarra do mercado imobiliário daqui…No Brasil, o primeiro que chega na imobiliaria e faz a proposta geralmente leva, mas aqui é o dono do imóvel que decide pra quem ele quer alugar. Você visita o imóvel com mais um monte de gente interessada, passa os seus dados pro proprietário e se ele for com a sua cara, talvez te faça mais perguntas e aí, se você for digno de morar no palacete dele, ele te chama pra assinar o contrato!*)

A dona do apartamento do carpete logo respondeu que já tinha alugado pra outra pessoa, 2 horas depois da nossa visita! (*Pra vocês verem como as coisas aqui alugam rapidinho…*) Então marido tratou de escrever um email* bem dramático pra dona do primeiro apartamento, apelando pro lado emocional. Contou que estávamos vindo do Brasil, buscando uma vida nova, e, por fim, que não poderíamos deixar nossos cachorros pois eram membros da nossa familia, estavam velhinhos e doentes, e sem ninguém pra cuidar deles lá…Demos a maior sorte do universo: a dona do apto respondeu dizendo que alugaria pra gente, pois ela também não era daqui e se lembrava de quando chegou há 6 anos em Vancouver, sem referências, e de como foi difícil conseguir alugar o primeiro imóvel. Além disso, ela adora animais e o prédio não tinha restrição nenhuma (nem com relação à quantidade nem tamanho)! Ufa…Já podíamos ir pro Brasil sossegados buscar os pimpolhos!

* Adendo: trouxemos uma carta de referência da imobiliária do Brasil, que eu mesma traduzi. Enviamos pra ela, anexada ao email, tanto a versão em português quanto em Inglês (*sei lá, vai que ela quisesse checar a tradução no Google Translator, né?!*) e isso acabou contando pontos a nosso favor.

Primeiro Emprego

Assim que chegamos, marido já foi enviando curriculos pra várias vagas…em meio à nossa busca por apartamento, ele fez algumas entrevistas por Skype e outras pessoalmente. No nosso último dia aqui antes de voltar pro Brasil, recebeu duas propostas!! Assinou o contrato com a empresa que ele tinha gostado mais, pra trabalhar mais ou menos na área que ele já trabalhava no Brasil, e pra começar dali 1 mês, logo depois da páscoa: tempo suficiente pra gente ir pro Brasil resolver o que precisávamos e voltar!

Primeiro curso de Inglês – Aulas Grátis!

Assim que chegamos fui me inscrever no programa de inglês que o governo oferece, o LINC (antigo ELSA aqui em BC). Fiz o teste de nível e fui até a escola me inscrever. A lista de espera girava em torno de 2 meses para o curso part-time (full time era no mínimo 4 meses, então descartei). Nesse meio tempo, precisava fazer alguma coisa e descobri que tinha uma escola oferecendo aulas grátis de Inglês, todos os dias, das 13h as 15h. Eram aulas que faziam parte do treinamento de novos professores, portanto, eram abertas para a comunidade e não precisava de absolutamente nada pra poder participar: apenas chegar e decidir se queria testar o nível básico/intermdiário ou avançado. Obviamente que não dá pra esperar uma super aula de gramática, nem de redação ou assuntos mais aprofundados…São aulas mais focadas em apresentar vocabulário e estimular a conversação. Frequentei durante 3 semanas e foi muito legal pra destravar e perder a vergonha de falar inglês. Conheci várias pessoas, algumas das quais tenho contato até hoje, então valeu super a pena!

Pra quem se interessar, a escola é a International House of Vancouver (Endereço: #200 – 1215 West Broadway, Vancouver, B.C.)

Brasil de novo

Voltamos ao Brasil no final de março com missão cumprida: apartamento alugado, emprego conquistado, viagem dos cachorros confirmada e curso de inglês no gatilho!

Ficamos por lá duas semanas, e dessa vez foi mais complicado me despedir…queria ficar o máximo de tempo possível com os meus amigos e minha família, principalmente com a minha sobrinha, mas ao mesmo tempo só tivemos pepino pra resolver. A única coisa que foi simples foi fechar a minha conta no Banco do Brasil, contrariando todas as minhas expectativas. Não consegui me despedir de muitas pessoas que eu queria, e isso me deixou muito mal. Nos últimos dois dias tudo que eu olhava me dava vontade de chorar, fiquei me segurando muito, mas na hora de ir embora, dentro do carro, a caminho do aeroporto, desabei. Não sei nem explicar a sensação…foi um misto de felicidade, medo, saudade antecipada e tristeza, e mesmo quando eu tentava parar de chorar, escorria sempre uma lagriminha safada. Tentava não ficar pensando na parte ruim de ir embora, mas é meio inevitável….fui parar de chorar mesmo acho que só depois de chegar aqui. Era só lembrar de alguma coisa que o olho já enchia de lágrimas…ô dificuldade esse negócio de apego, hein?!

Vancouver de novo

Enfim, voltamos pra Vancouver dia 16 de Abril, dessa vez pra valer. Chegar no aeroporto e entrar, pela primeira vez, na fila de residentes ao invés de visitantes faz cair a ficha…Dali uma semana chegariam os cachorros, no mês seguinte o curso de inglês começaria e assim a vida iria se ajeitando.

Como teríamos apenas 13 dias antes do plano de saúde da província começar a valer pra gente, resolvemos testar a nossa sorte e não contratamos seguro saúde pra esse período. Não façam isso minha gente!! Nem preciso dizer que deu merda, né?! Depois de alguns dias acabei ficando beeem doente, e nos arrependemos amargamente dessa decisão…. (*Na verdade, esquecemos desse pequeno detalhe e quando lembramos já estávamos aqui, então desencanamos…Conto mais sobre isso e sobre como foi resolvida a situação depois, num post mais completo.*)

No próximo post finalmente vou contar sobre os cachorros! Estou terminando de escrever e prometo deixar agendado pra postar amanhã!

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Como ser residente permanente no Canadá? (II)

Como eu disse no post anterior (*Não leu ainda? Corre lá!*), vou focar este post especificamente no programa Federal Skilled Workers (FSW), que foi o programa pelo qual eu obtive meu visto de residente permanente. Reforçando: se você é um visitante do futuro, veja lá no site oficial as regras atuais, porque isso muda sempre!

A seleção é baseada num sistema de 100 pontos divididos em 6 categorias: Idioma (até 28 pontos), Educação (até 25 pontos), Experiência de Trabalho (até 15 pontos), Idade (até 12 pontos), Oferta de emprego (até 10 pontos) e Adaptabilidade (até 10 pontos). Para cada categoria você recebe uma quantidade de pontos e, ao final, somando todas as categorias, você deve atingir pelo menos 67 pontos para ser elegível para o programa.

E quais são os requisitos básicos para participar do FSW?!

– Você deve possuir pelo menos um ano de experiência contínua de trabalho pago (pelo menos1560 horas), nos últimos 10 anos, em uma ocupação que esteja na lista de ocupações elegíveis.

(As profissões no Canadá são classificadas em várias modalidades, e possuem cada uma um número de identificação, conhecido como NOC. O seu NOC é relacionado à sua atuação real, ou seja, com o  que você realmente trabalha, e não exatamente com o que está escrito no seu diploma. Exemplo: se no seu diploma está escrito Administração porque você fez essa faculdade, mas você efetivamente nos últimos dez anos sempre trabalhou na área de Marketing em alguma empresa, o seu NOC será algum de atividades relacionadas a Marketing, e não o de administradores….)

– Você deve ter habilidade de se comunicar em Inglês ou Francês, e deve comprovar isso obtendo uma nota mínima em testes de proficiência oficiais (IELTS General Training ou CELPIP General para o Inglês, ou TEF para o francês). O CELPIP é mais complicado porque só é aplicado no Canadá, por isso a maioria das pessoas faz o IELTS. O teste deve ter sido feito há no máximo dois anos e neste link você pode ver quais são as notas mínimas aceitas para cada teste.

(O mais comum é que para o processo federal as pessoas comprovem nível de inglês, visto que a maioria das províncias é anglófona, mas o francês também é aceito para este processo. Existem comunidades francófonas em todas as províncias, mas é bom saber que o idioma dos ambientes de trabalho, mesmo nessas comunidades, geralmente é o Inglês).

– Você deve ter um diploma / certificado canadense OU um diploma de ensino superior de outro país. No caso de o seu diploma não ser canadense, é obrigatório que ele seja acompanhado de uma avaliação das credenciais educacionais (ECA – Educational Credencial Assessment), emitido por uma das instituições indicadas pelo CIC.

– Você deve comprovar que possui os recursos financeiros exigidos. O CIC estabelece um valor mínimo que você deve possuir ao chegar no Canadá, de acordo com o número de membros da sua família, e é necessário demonstrar ao Consulado que você já possui esse dinheiro quando der entrada no processo.

Em resumo, o passo a passo de todo o processo acontece assim:

1a. Fazer o Teste de Proficiência (IELTS ou TEF) e verificar se a nota condiz com o nível requerido (o resultado demora cerca de 15 dias para sair).

1b. Baixar o Checklist de documentos necessários e traduzir tudo para inglês ou francês. (As traduções devem ser “juramentadas”, ou seja, você precisa achar um tradutor público listado na junta comercial do estado. Os valores de lauda são tabelados pela própria junta comercial, portanto, todos os tradutores de um mesmo estado praticam o mesmo valor; porém, a tabela varia de estado pra estado, e nada te impede de fazer as traduções com um tradutor de outro estado se você achar que vale mais a pena).

1c. Obter o ECA – Educational Credential Assessment em uma das instituições indicadas pelo CIC. (Esse passo serve basicamente para verificação de que a sua formação é equivalente à formação do mesmo profissional em uma instituição canadense, e não tem nada a ver com validação do seu diploma no caso de a sua profissão ser regulamentada no Canadá).

2. Baixar todos os formulários (no mesmo local que o checklist, no site oficial do CIC), preenchê-los e organizar toda a documentação na ordem em que o checklist lista. (Não esqueça de preencher nenhum campo e assinar onde for necessário! São muitos formulários, algumas dúvidas surgem, a gente vai deixando “pra preencher depois” e acaba esquecendo de um campo ou outro…depois o CIC retorna todo o seu pacote! Revise várias vezes!!)

3. Enviar tudo isso para Sydney – Nova Scotia, e ter muita paciência daqui em diante, pra aguardar as escassas notícias.

4. Em Sydney será feita uma pré-avaliação, para verificarem se você realmente tem os requisitos necessários e toda a documentação que comprove.  Em caso positivo, haverá o débito da taxa inicial do processo (cartão de crédito ou outra forma que você tenha escolhido através do formulário) e, após alguns dias, você receberá o Positive Elegibility Review (que nada mais é que um email apenas pra você ficar ciente de que já analisaram seu pacote e você realmente se enquadra, e o aviso de que o seu processo será encaminhado para o consulado da sua região, no nosso caso o de São Paulo, para a continuidade do processo).

5. Depois de esperar mais um pouco, se forem necessários mais documentos e/ou atualização dos que já foram enviados, o Consulado pedirá nessa etapa.

6. Aguardar o pedido de exames médicos, ir em um médico credenciado e fazer os exames exigidos. O médico enviará os exames para Ottawa (alguns médicos tiram a foto na própria consulta e enviam os resultados online, portanto não há necessidade de pagar taxa de envio nesses casos), e aguardar a solicitação dos passaportes.

7. Entrega dos passaportes para emissão do visto de imigrante, com validade de 1 ano a partir da data de envio dos exames médicos.

8. Landing (primeira entrada como residente no Canadá).

Espero ter ajudado! :)

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Como ser residente permanente no Canadá? (I)

Tive que passar esse post na frente porque, com a reabertura do processo federal, recebi um monte de perguntas a respeito disso. Acho que todo expatriado recebe essa pergunta mais cedo ou mais tarde, não tem jeito…sendo assim, vou tentar fazer um resumo de como funciona e, talvez, depois, eu faça alguns posts mais específicos sobre como procedi em cada etapa, se houver interesse. Ressalto que tudo que estou escrevendo aqui serve para o ano de 2014, porque as regras mudam constantemente (inclusive já foram anunciadas mudanças para 2015 em diante), então, se você é um visitante do futuro que quer emigrar para o Canadá, veja as regras atuais no site do CIC, que é a fonte oficial de informações!

As informações que posto são fruto das minhas experiências e de 4 anos de pesquisa sobre o assunto, mas eu não sei tudo e, principalmente, eu não sou qualificada profissionalmente para aconselhar ninguém. Se depois de ler tudo que o governo explica sobre o assunto no site acima você ainda tiver dúvidas mais complexas, existem diversas maneiras de você saná-las: procurar fóruns e listas de discussão, tentar pesquisar blogs atuais sobre o processo, ou ainda contratar consultores e advogados de imigração (verifique sempre se o profissional é idôneo, pois existe muito oportunista dando golpe por aí. De preferência, pesquise referências sobre o profissional, ou peça indicação de quem já utilizou os serviços de algum). Eu não posso indicar nenhum, pois não usei esse serviço. Fizemos tudo sozinhos, eu e marido: pesquisamos, preenchemos mil formulários, enviamos, esperamos e pagamos. Importantíssimo dizer que não é fácil nem barato morar legalmente no Canadá. Além de querer, você precisa poder (não apenas financeiramente, e sim preencher todos os requisitos) e ser muito paciente!

Dito isso…vamos ao que interessa!

Uma coisa que eu devo contar antes de tudo é que o visto de residente permanente, ao contrário do nome, não é permanente… :(

Ele tem validade de 5 anos, mas é renovável! :)

Outra coisa é que não existe só uma forma de emigrar para o Canadá. O Canadá é um país formado por 10 províncias e 3 territórios (mais ou menos o equivalente aos nossos estados) e, atualmente, existem mais de 50 programas diferentes de imigração, entre programas do governo federal e programas dos governos provinciais. Cada um deles tem suas regras específicas, e decidir por qual caminho seguir requer muita pesquisa pra verificar em qual processo você se encaixa melhor. (*Ou poupar a pesquisa e contratar um consultor pra fazer isso pra você. Mas mesmo assim eu acho importante pesquisar e estar por dentro de como as coisas funcionam, pra não ser passado pra trás.*)

Mapa Canada

Quase todas as províncias/territórios tem autonomia para escolher e nomear pessoas (que possuam conhecimentos, habilidades ou experiência de trabalho relevantes para contribuir para esta província) para imigrar. Esses são os chamados processos provinciais (PNP – Provincial Nominee Program), e basicamente consistem de duas etapas:

1) Etapa provincial, na qual você submete os seus documentos ao governo da província e, caso possua todos os requisitos exigidos, a província te nomeia para imigrar (ou seja, te dá um documento para que você encaminhe ao governo federal onde eles afirmam que você é interessante e que eles te escolheram pra se estabelecer lá).

2) Etapa federal, na qual você envia a sua nomeação provincial e mais alguns documentos necessários para o Departamento de Cidadania e Imigração canadense, e o governo federal, após analisar todo o seu processo, te concede o visto de residência permanente para entrar e viver no país.

Claro que cada etapa dessas tem diversas sub-etapas. Nessa modalidade, você deve ter intenção de viver na província específica que te nomeou. (*Na teoria é assim, porém, com o visto de residente permanente em mãos, você pode viver, na prática, em qualquer parte do Canadá. Não vou entrar no assunto relativo à moralidade e ética (ou falta de) de se fazer o processo através de uma província já com intenção de morar em outra…a maioria das pessoas quer se mudar pro exterior exatamente para fugir do famoso “jeitinho brasileiro”, então fica a cargo de cada um analisar se essa atitude é mais uma forma do jeitinho (ou não) e agir de consciência tranquila, né?*)

Segue o link para as informações oficiais sobre os programas de cada província/território:

Existe também o processo pela província de Quebéc, que não se enquadra na categoria de Provincial Nominee Program. Quebéc, que é a única província oficialmente francófona do Canadá, possui um acordo com o governo federal para escolher os seus próprios imigrantes, portanto, se você quer se estabelecer lá, tem que dar entrada através desse programa específico. Se você buscar no oráculo vai achar uma infinidade de blogs de pessoas que estão atualmente no processo ou que já estão morando lá, além de um fórum brasileiro exclusivo para trocar informações sobre isso. Site oficial para as informações sobre esse programa:

Por último, existem também os processos federais (sim, existe mais de uma modalidade!). Nestes, você pula a etapa provincial e já envia todos os documentos necessários diretamente pro Departamento de Cidadania e Imigração canadense. (*Isso não significa que esses processos sejam mais fáceis por ter apenas a etapa federal!*).

Os principais processos federais são os seguintes:

  • Federal Skilled Workers (Trabalhadores qualificados)engloba trabalhadores sem oferta de emprego de profissões em demanda, trabalhadores com oferta válida de emprego e estudantes de PhD (equivalente ao nosso Doutorado).
  • Federal Skilled Trades Program (Profissionais Técnicos) – profissionais de áreas técnicas como chefs de cozinha, soldadores, carpinteiros, eletricistas, encanadores, enfim…são 90 profissões na lista. 
  • Canadian Experience Class (Experiência Canadense)
  • Investors, entrepreneurs and self-employed (Investidores, empreendedores e autônomos) – abrange os programas de Start-Up Visa e o de Self-employed, este segundo para quem trabalha em profissões ligadas a esportes e atividades culturais, entre outras.
  • Family Sponsorship (Reunião familiar)
  • Live-in Caregivers (Cuidadores)

No meu caso, só sei resumidamente a diferença entre cada categoria, e posso falar sobre a minha experiência apenas no Federal Skilled Workers (FSW), que foi o programa para o qual tínhamos todos os requisitos necessários e pelo qual nós conseguimos o visto de residencia. Como o post ficou muito mais longo do que eu imaginei, vou dividir e no próximo falarei sobre os requisitos necessários para o FSW e quais foram os passos seguidos para estarmos aqui hoje.

Boa sorte pra quem está iniciando essa caminhada!