Primeiras vezes

Para o caso de alguém ter reparado que parei de postar e se perguntado se fui sequestrada e mantida em cativeiro por algum mafioso chinês, logo agora que cheguei em Vancouver….aviso que estou aqui! Só estou vivendo um pouco fora da internet, tentando fazer novos amigos, conhecer o que a cidade tem pra oferecer, e, nesse meio tempo, tentando aprender a me comunicar eficientemente em inglês!! Esse negócio de ouvir / tentar entender / falar, e, enfim, viver em inglês, cansa meu cérebro de tal forma que quando chego em casa a última coisa que quero ver é o meu computador….apenas jogar Candy Crush pra descontrair :D

Mas isso não significa que vou parar de escrever aqui; é só uma pausa pro café, poque ainda tem muitas coisas pra contar. Aproveitando, vou contar umas coisas velhas, de meses atrás, pra poder deixar o blog em fase com a vida, né?! Ninguém merece ficar vivendo de notícia passada! (Pega um cafezinho ou cervejinha e senta que lá vem história…o post ficou enorme!!) (*Vou contar sobre conta no banco, primeiro aluguel, emprego e aulas de inglês grátis; caso você esteja com preguiça de ler tudo pode só procurar o que te interessa aí no meio!*)

No primeiro dia aqui já saímos pra resolver a documentação necessária pra virar gente (SIN number, que é o número importante pra tudo aqui…trabalhar, construir histórico de crédito, etc etc etc..- você já sai com um papel impresso na hora, e aguarda a chegada do cartãozinho oficial pelo correio), dar entrada no seguro saúde da província (aqui em BC funcionou assim: fizemos download dos formulários pelo site, preenchemos e enviamos tudo pelo correio) e abrir conta no banco. Depois de feito isso, nos concentramos na procura por um lugar pra morar, pois só tínhamos alugado o basement pra um mês.

Primeira conta no banco

Impressionante como os serviços bancários aqui são desprovidos de burocracia…Tudo que precisamos até agora foi super eficiente, embora bem mais arcaico.

Depois de muito pesquisar, resolvemos abrir uma conta no CIBC, que tinha um pacote interessante para recém chegados, incluindo cartão de crédito. Entramos na agência e pedimos ajuda ao primeiro funcionário que apareceu na nossa frente, explicando que estávamos ali pra abrir uma conta. Ele chamou o gerente, que em um minuto veio e nos levou pra sala dele, já com dois cartões de débito em mãos. Pediu nosso comprovante do landing, SIN number e endereço, demorou uns 5 minutos digitando as informações necessárias pra cadastro e já pediu pra criarmos uma senha. Tudo isso enquanto conversava sobre a vida e dava dicas sobre o dia a dia na cidade… Dali, já nos levou até o caixa eletrônico para desbloquearmos o cartão e criarmos a senha de internet. E pronto. Apenas isso. Num período de 20 minutos entramos, conversamos e saímos com conta criada, cartão de crédito solicitado, cartão de débito na mão e senhas funcionando!

Resolvemos depositar o dinheiro que tínhamos na boca do caixa e ela perguntou se queríamos o comprovante; dissemos que sim. Pasmem: ela pegou um papelzinho branco, imprimiu o valor do depósito, carimbou (com nome do banco e data) e estendeu o papel pra gente. (*Eu disse que era arcaico!*). Arcaico, porém eficiente… Isso foi em fevereiro e até hoje não tive que ir na agência mais nenhuma vez, pra resolver nada, nem pra depositar cheque! Pelo aplicativo do celular você tira duas fotos do cheque, frente e verso, e depois de uns 3 dias o valor é compensado na sua conta.

Mas se você é daqueles tipo a minha mãe, que odeia pagar as coisas com cartão de “Drébito” e gosta de ir pagar seus boletinhos em dinheiro lá no caixa, fisicamente, tem mais uma coisa legal: a agência funciona normalmente aos sábados. E algumas de domingo também… (*Êêê lá em casa……*)

Primeiro aluguel

Uma das coisas mais difíceis de decidir chegando aqui foi onde exatamente morar. Primeiro porque a gente chega sem referências, sem histórico de crédito, sem lenço nem documento, então as opções não são tantas assim…Não bastasse isso, não sabíamos onde marido iria trabalhar e nem onde eu iria estudar, então decidimos buscar algo próximo de Downtown, de fácil acesso ao transporte público, que fosse possível fazer muitas coisas a pé e que coubesse no nosso budget. Além de tudo isso, tinha que aceitar cachorro! Não só um, dois. E grandes. Missão quase impossível!!

Como a gente já tinha vindo antes conhecer a cidade, já tínhamos em mente mais ou menos as regiões que gostaríamos:  Kitsilano, Fairview, Mount Pleasant, Strathcona, West End. Enfim, se não encontrássemos nada nessas áreas, estávamos dispostos a ampliar um pouco os horizontes, desde que continuássemos próximos ao Skytrain e que fosse na Zona 1. Mais de um mês antes de chegar eu já estava buscando, mesmo sabendo que as coisas aqui alugam rapidinho. Sou ansiosa: sim ou com certeza?! (Se você quiser saber de um jeito muuuito eficiente pra buscar um apto ou casa por aqui, sugiro que você leia o post da Dupla Canadense, que ela explica muito bem como ela fez e eu fiz parecido! Funcionou super bem!)

Vancouver Neighborhoods & Zonas do Skytrain

Vancouver Neighborhoods & Zonas do Skytrain (pode clicar na imagem se quiser ver maior!)

As ferramentas que usei pra buscar foram: Cragslist, MapLiv, PadMapper e Rent It Furnished (tem muitas outras, mas achei que usando essas eu já estava bem servida).

Não vou dizer que a gente visitou mil lugares porque é mentira…a essa altura já tínhamos desistido fazia tempo de alugar uma casa com quintal; já tínhamos aceitado a ideia de que os cachorros iam morar dentro de casa com a gente e o máximo que procuramos foi uma varanda grande ou aptos térreos com patio. Visitamos uns 6 apartamentos, sendo que 3 foram total perda de tempo pq eram suuuuper velhos e fedidos…mas tipo, não eram apartamentos apenas antigos, eram muito destruídos mesmo, totalmente sem condições de morar. Acabou que gostamos do primeiro e do último que visitamos. O primeiro era super novo, todo mobiliado, com uma varanda grande e sem vizinhos em cima nem embaixo (embaixo é um comércio, portanto, sem ninguém pra reclamar de eventuais barulhos à noite e aos finais de semana), porém um pouco mais caro do que a gente estava procurando. O último era térreo, um pouco maior que o primeiro mas mais antigo, sem mobília e com carpete, mas os prós eram que era super perto de Downtown e tinha um quintal enorme! Ficamos sem saber o que fazer e resolvemos mandar nosso application pros dois…porque ainda tinha a possibilidade de ninguém querer alugar pra gente né?! (*Taí a coisa mais bizarra do mercado imobiliário daqui…No Brasil, o primeiro que chega na imobiliaria e faz a proposta geralmente leva, mas aqui é o dono do imóvel que decide pra quem ele quer alugar. Você visita o imóvel com mais um monte de gente interessada, passa os seus dados pro proprietário e se ele for com a sua cara, talvez te faça mais perguntas e aí, se você for digno de morar no palacete dele, ele te chama pra assinar o contrato!*)

A dona do apartamento do carpete logo respondeu que já tinha alugado pra outra pessoa, 2 horas depois da nossa visita! (*Pra vocês verem como as coisas aqui alugam rapidinho…*) Então marido tratou de escrever um email* bem dramático pra dona do primeiro apartamento, apelando pro lado emocional. Contou que estávamos vindo do Brasil, buscando uma vida nova, e, por fim, que não poderíamos deixar nossos cachorros pois eram membros da nossa familia, estavam velhinhos e doentes, e sem ninguém pra cuidar deles lá…Demos a maior sorte do universo: a dona do apto respondeu dizendo que alugaria pra gente, pois ela também não era daqui e se lembrava de quando chegou há 6 anos em Vancouver, sem referências, e de como foi difícil conseguir alugar o primeiro imóvel. Além disso, ela adora animais e o prédio não tinha restrição nenhuma (nem com relação à quantidade nem tamanho)! Ufa…Já podíamos ir pro Brasil sossegados buscar os pimpolhos!

* Adendo: trouxemos uma carta de referência da imobiliária do Brasil, que eu mesma traduzi. Enviamos pra ela, anexada ao email, tanto a versão em português quanto em Inglês (*sei lá, vai que ela quisesse checar a tradução no Google Translator, né?!*) e isso acabou contando pontos a nosso favor.

Primeiro Emprego

Assim que chegamos, marido já foi enviando curriculos pra várias vagas…em meio à nossa busca por apartamento, ele fez algumas entrevistas por Skype e outras pessoalmente. No nosso último dia aqui antes de voltar pro Brasil, recebeu duas propostas!! Assinou o contrato com a empresa que ele tinha gostado mais, pra trabalhar mais ou menos na área que ele já trabalhava no Brasil, e pra começar dali 1 mês, logo depois da páscoa: tempo suficiente pra gente ir pro Brasil resolver o que precisávamos e voltar!

Primeiro curso de Inglês – Aulas Grátis!

Assim que chegamos fui me inscrever no programa de inglês que o governo oferece, o LINC (antigo ELSA aqui em BC). Fiz o teste de nível e fui até a escola me inscrever. A lista de espera girava em torno de 2 meses para o curso part-time (full time era no mínimo 4 meses, então descartei). Nesse meio tempo, precisava fazer alguma coisa e descobri que tinha uma escola oferecendo aulas grátis de Inglês, todos os dias, das 13h as 15h. Eram aulas que faziam parte do treinamento de novos professores, portanto, eram abertas para a comunidade e não precisava de absolutamente nada pra poder participar: apenas chegar e decidir se queria testar o nível básico/intermdiário ou avançado. Obviamente que não dá pra esperar uma super aula de gramática, nem de redação ou assuntos mais aprofundados…São aulas mais focadas em apresentar vocabulário e estimular a conversação. Frequentei durante 3 semanas e foi muito legal pra destravar e perder a vergonha de falar inglês. Conheci várias pessoas, algumas das quais tenho contato até hoje, então valeu super a pena!

Pra quem se interessar, a escola é a International House of Vancouver (Endereço: #200 – 1215 West Broadway, Vancouver, B.C.)

Brasil de novo

Voltamos ao Brasil no final de março com missão cumprida: apartamento alugado, emprego conquistado, viagem dos cachorros confirmada e curso de inglês no gatilho!

Ficamos por lá duas semanas, e dessa vez foi mais complicado me despedir…queria ficar o máximo de tempo possível com os meus amigos e minha família, principalmente com a minha sobrinha, mas ao mesmo tempo só tivemos pepino pra resolver. A única coisa que foi simples foi fechar a minha conta no Banco do Brasil, contrariando todas as minhas expectativas. Não consegui me despedir de muitas pessoas que eu queria, e isso me deixou muito mal. Nos últimos dois dias tudo que eu olhava me dava vontade de chorar, fiquei me segurando muito, mas na hora de ir embora, dentro do carro, a caminho do aeroporto, desabei. Não sei nem explicar a sensação…foi um misto de felicidade, medo, saudade antecipada e tristeza, e mesmo quando eu tentava parar de chorar, escorria sempre uma lagriminha safada. Tentava não ficar pensando na parte ruim de ir embora, mas é meio inevitável….fui parar de chorar mesmo acho que só depois de chegar aqui. Era só lembrar de alguma coisa que o olho já enchia de lágrimas…ô dificuldade esse negócio de apego, hein?!

Vancouver de novo

Enfim, voltamos pra Vancouver dia 16 de Abril, dessa vez pra valer. Chegar no aeroporto e entrar, pela primeira vez, na fila de residentes ao invés de visitantes faz cair a ficha…Dali uma semana chegariam os cachorros, no mês seguinte o curso de inglês começaria e assim a vida iria se ajeitando.

Como teríamos apenas 13 dias antes do plano de saúde da província começar a valer pra gente, resolvemos testar a nossa sorte e não contratamos seguro saúde pra esse período. Não façam isso minha gente!! Nem preciso dizer que deu merda, né?! Depois de alguns dias acabei ficando beeem doente, e nos arrependemos amargamente dessa decisão…. (*Na verdade, esquecemos desse pequeno detalhe e quando lembramos já estávamos aqui, então desencanamos…Conto mais sobre isso e sobre como foi resolvida a situação depois, num post mais completo.*)

No próximo post finalmente vou contar sobre os cachorros! Estou terminando de escrever e prometo deixar agendado pra postar amanhã!

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6 comentários sobre “Primeiras vezes

  1. Muito bom!!! Adorei o post! Muito informativo, ansiosa para saber como foi a viagem dos filhos peludos! Beijos

  2. Eeeee :) que post legal! Adorei! Conta como teu marido fez para achar as vagas de emprego!!!!

    Beijossssss

  3. Muito bom o post! Esse inglês fornecido pelo governo é somente para imigrantes? Se eu for com study permit para fazer um college posso fazer este inglês também?
    Outra pergunta, seu marido demorou quanto tempo para arrumar emprego? Qual a área dele?
    Abçs

    • Oi canada4five!

      Sim, esse programa de inglês do governo é somente pra quem chega com o visto de Residente Permanente; não funciona pra quem vem com visto de trabalho ou estudante.. Pra esses outros vistos, tem que pagar um curso mesmo :(

      Sobre o meu marido, ele é da área de TI e demorou 1 mês pra conseguir uma oferta de emprego.

      Beijos!

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